ISSO NÃO TERÁ FIM...
Autora: Carlinha
A cada degrau uma certeza...
Isso não terá fim...
Quando aceitei sua companhia nunca esperava que ela me levaria à perdição.
Era uma noite qualquer, dessas que esperamos que algo novo aconteça, mas sempre acabamos com uma garrafa de vinho e um cinzeiro nojento ao nosso lado.
Cansei. Estava exausta de ouvir as mesmas músicas medíocres baixadas sem paciência. Estava escrevendo uma tese de mestrado. Mas o álcool já influenciava minhas opiniões e achei melhor parar. Vou sair – pensei.
Era cedo ainda. 01.37.... comecei a beber cedo....
Lentamente escolhi a roupa que usaria naquela noite. Espartilho. Por que nunca o havia usado? Relações interrompidas. Ou mal resolvidas. Não sei. Nem quero saber.
2.42 – Cidade ridícula. Saio pelas ruas, nada que me interesse. Meu pé dói. Salto alto, estupidez feminina.
Open Bar – tequila, mais uma cerveja...Pelo menos uma figura masculina, embora obscura, num canto escuro me inspira, chamei a atenção. Mais tequila.
Decadência.
Encontro colegas (nunca seriam meus amigos) rindo e dançando ao som da música eletrizante. Tiram fotos, riem, contam piadas e histórias. Tenho náuseas.
Encosto em um canto onde posso ver as dimensões do bar. Acendo um cigarro. Nojento e vulgar. Mesmo assim aquela figura masculina me inspira e me olha.
A noite, realmente, é algo fora de nossos domínios – penso. Me sinto bem aqui. Mais uma tequila.
Sinto, repentinamente uma vontade enorme de não precisar amanhecer...queria ficar aqui...aqui não preciso decidir, aqui não preciso ser a pessoa que vocês esperam que eu seja amanhã...sou somente quem eu sou....
Ele se aproxima.
Você gosta daqui. – diz.
Sim. – minha única opção.
Você não sabe de nada. E some.
Um segundo de distração e aquela pessoa que me observou e veio ao meu encontro some. Eu queria dizer-lhe que a única coisa que me fez ficar naquele bar por mais de dez minutos foi ele. Hipnose instantânea. Mas nada. Ele sumiu. Mas não sei porquê eu devo esperar.
Espero. Espero. Espero. Sei que algo vai acontecer.
E lá está ele – sorrindo pra mim.
Sorrio. E sou uma idiota – penso.
E a cada degrau uma certeza....
Isso não terá fim....

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